5 coisas que aprendi com Filipe Freire

5 coisas que aprendi com Filipe Freire

Filipe Freire é integrante e produtor da banda DOM

Hoje é aniversário dele! Como é bom poder falar de alguém e não de nós mesmos! Ajusta o foco mais bonito da nossa vida. Aqui vão algumas coisas que aprendi com Filipe Freire:

1 – pense no grupo!

Eu conheci o Filipe na faculdade. Além de tocar bem, ele sempre foi um articulador de projetos. Um dia, surgiu um projeto de chorinho. Alguns músicos assumiram o projeto enquanto outros, por juventude ou sinceridade, não se sentiram capazes de fazer parte. Mas era um projeto pago e imediatamente se criou uma circunstância entre os alunos da faculdade: os que aceitaram o projeto e recebiam e os, poucos, que não aceitaram e não recebiam. Filipe lutou para que se reservasse parte dos ganhos dos que recebiam para os que não recebiam. Ele não queria que as pessoas recebessem sem ter trabalhado, não é isso. Ele queria motivá-las a trabalhar mais e manter o grupo unido, sem injustiças.

2 – acredite na inspiração

O CD do DOM “Tudo é do Pai” só saiu porque o Filipe apostou nele. Era o ano de casamento do Fred e eu vivia com muito poucas aulas de violão. Mas o Filipe buscou as horas vagas no estúdio que era sócio, pediu prazos mais longos para amigos músicos, técnicos de som e designer. Se as canções e o talento vocal do Fred foram a inspiração, Filipe foi a motor por trás de tudo. A originalidade dos arranjos é dele, o esmero na mixagem, nos timbres e nas dinâmicas também são dele.

3 – acredite nas pessoas

Saímos do primeiro ensaio da casa do Fred meio cansados e sabendo que teríamos um longo caminho pela frente. Éramos diferentes e já estávamos em uma idade que sabíamos que teríamos dificuldades de relacionamento pela frente. Eu e Filipe carregamos os violões até o corredor e chamamos o elevador em silêncio. Quando entramos e a porta se fechou ele disse: pelo menos temos um bom cantor. Quem conhece o Filipe sabe que ele não é de elogios vazios. Mas ele acredita nas pessoas.

Eu o vi repetir a exaustão a interpretação do Fred em Tudo é do Pai até que saísse o seu melhor. Porque ele acreditava no Fred, num Fred que, suspeito, nem o próprio achava que existia. Eu sou sempre muito exigido porque tenho muitas limitações técnicas e musicais (estou sempre tocando “agulhado”, dizem os técnicos). Mas o Filipe não desiste. Tá, você quer um abraço e um carinho? Ou quer uma gravação que poderá escutar por 20 anos e dizer: essa ficou ótima! Se arrependimento.

Obs: quando eu fiz o show de lançamento do DOISRIOS com o Rodrigo Grecco chamei o Filipe pra tocar conosco. No dia seguinte, ele me mandou um áudio com algumas críticas e vários elogios. Eu salvei esse áudio e sempre ouço nos momentos em que fico triste pensando que escolhi a profissão errada. Ah, ele não sabe disso. Não contém pra ele: Shiiiiiiiii

4 – encontre o seu espaço

Filipe não disputa espaço. Isso é muito bom! Se eu vou para o grave no violão, ele se lança ao agudo, se sou eu no agudo (solando) ele faz uma base entusiasmada. Se faço uma dinâmica baixa ele não pensa: agora é a hora que eu me destaco. Se pego o microfone pra fazer alguma partilha ou pregação ele não fica matutando “o que vai dizer na próxima canção…”. Aliás, essa é a regra dele no arranjo é que sempre repete para mim: cara, procura um espaço vazio, não fica competindo com a voz, etc.

5 – aceite o outro sem querer mudá-lo

Acordamos cedo naquele dia depois de um show. Cansados. Nos irritamos um com o outro. Quase nos socamos. Entramos no carro arrependidos. Nossas pazes? Sem dramas, sem pedidos complexos de perdão. “Vamos comer um desses pães de queijo milionários que você gosta…” disse ele ao entrarmos no aeroporto. E nunca mais tocamos no assunto. O Filipe não volta ao mesmo assunto, não fica girando em torno de problemas, limitações ou pecados dos outros. “O que é problema tem solução, o que não tem solução não é um problema, cara…” – ele sempre me diz.

Bom, eu o conheço há uns 30 anos. Não saímos todas as sextas pra tomar um choppinho ou ver um filme no cinema. Ele não é meu amigo mais íntimo. Mas sei que posso contar com ele. Mesmo não concordando comigo ele é fiel, não joga o passado na minha cara (acredite, nós nos conhecemos em um momento em que estávamos distantes da fé… ele conhece muitos podres meus). Não faz propaganda enganosa de si mesmo. Filipe é um cara inteligente, fiel e generoso.

Feliz aniversário, broooo!

Augusto Cezar Cornelius

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