As 5 coisas mais importantes que eu aprendi com Elton John

As 5 coisas mais importantes que eu aprendi com Elton John

Coisas que aprendi com Elton John

Filipe Freire me disse em 99: toque esse violão como se fosse o piano do Elton John! Bem, eu estava mais acostumado na época a Debussy então fui fazer minha pesquisa. A paixão pelas suas composições o colocaram no mesmo patamar de Paul McCartney pra mim. Aqui vão rapidinho algumas coisas que um músico (e compositor) católico pode e deve aprender com Elton John:

1 – Seja um colecionador!

Explico melhor. Elton John (ainda quando era chamado de Reginald Dwight) além de estudar piano clássico, tocar em pubs e numa banda chamada Bluesology, era um colecionador de discos. Compulsivamente, ouvia e comprava em grande quantidade assimilando influências, estudando estilos e desenvolvendo repertório. No livro “Roube como um artista” de Austin Kleon ele explora bastante este conceito de referências e misturas. O próprio autor despudoramente cita o escritor André Gide: “Tudo que precisa ser dito já foi dito. Mas, já que ninguém estava ouvindo, é preciso dizer outra vez.”

Para nós católicos fica ainda mais fácil se lembrarmos o livro de Eclesiastes: “Não há nada de novo debaixo do sol.” (Eclesiastes 1: 9).

2 – Saiba suas limitações.

Reconhecer-se um letrista limitado e deficiente fez com que Elton encontrasse aquele que lhe daria as melhores palavras para as suas canções. Também o libertaria para se dedicar às melodias e harmonias. Bernie Taupin, o letrista das maioria das canções de Elton, não era músico mas produzia com dedicação, talento e quantidade (vou falar mais disso no próximo “aprendizado”).

3 – Encontre seu método!

“Eu vi Elton compor Rocket Man em 10 minutos na minha frente enquanto eu tomava café da manhã. Foi inacreditável”, recorda-de Ken Scott, Ken Scott produtor musical e engenheiro de som inglês, conhecido não só por ter substituído o engenheiro de som dos Beatles, Geoff Emerick, durante a gravação do álbum The Beatles, de 1968, mas por ter sido o engenheiro de som do álbum Space Oddity de David Bowie em 1969. Bernie e Elton nunca compunham juntos. Bernie entregava diversas folhas (lembre-se: quantidade é importante para se ter qualidade) a Elton, que escolhia algumas e riscava, adaptava e imediatamente se lançava a criar melodias. Funcionou para eles. Conhecer o seu melhor método de trabalho é fundamental. Para isso talvez tenha que se passar por algumas tentativas e erros e muita experiência.

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4 – Se reinvente!

Não canso de reconhecer isso em todas as muitas biografias de artistas que leio e estudo. Elton o fez muitas vezes. Vamos lá! Seus primeiros álbuns estão cheios de baladas pop com arranjos de cordas incríveis! Eu os amo de todo coração. Mas Elton experimentou o sucesso do palco, a energia vibrante e sabia que se ficasse preso ao conceito “songwriter” tão em voga na época não seria a estrela que desejava ser. Havia uma distância entre o Elton da versão orquestral dos álbuns e o Elton frontman de uma banda, que chutava o banco do piano em shows eletrizantes. Por isso, a partir do álbum Honky Chateau vemos novidades no seu repertório, nos arranjos e produção musical. Essa reinvenção aconteceu muitas vezes levando-o inclusive a mudar os tons das suas canções devido a um problema na garganta que alterou seu registro vocal. Sobre essa reinvenção destaco também aquele que eu particularmente considero seu melhor álbum: Captain Fantastic and The Brown Dirt Cowboy.

5 – Seja tão grande (ou maior) que a sua música!

Elton perdeu muitos amigos para a Aids nos anos 80. Gravou e fez concertos. Mas sente que ainda não é o bastante e aos 71 insiste em contribuir mais. Ficam aqui as palavras deste grande artista:

“Se você é cantor, ator, ou o que for… Alguém a quem as pessoas admiram e com quem querem falar, é importante ir e escutar seus problemas, simpatizar com eles e tentar, tanto quanto possível, ajudá-los”

Elton John não é um santo. Nem é meu ídolo. Mas artisticamente aprendo muito com ele. Como ser humano, a lição que meu avô me ensinou permanece: qualquer um pode nos ensinar a sermos melhores. Aprender é coisa de aluno, Guto – ele sempre dizia. E eu, que me tornei professor, insisto em querer aprender com todos. E sempre.

Augusto Cezar Cornelius

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