Estratégias oblíquas e composição musical

Estratégias oblíquas e composição musical

Brian Eno, músico e produtor de artistas como U2, Coldplay e David Bowie, criou e publicou este conjunto de cartas em 1975. Cada carta propõe uma frase ou mesmo observação que possa sugerir um caminho a ser seguido em impasses criativos.

Assisti inúmeros documentários de música de pessoas que foram produzidos pelo próprio Brian Eno e não é incomum ouvir coisas como “ele nos fazia trocar de instrumentos, indo o guitarrista para a bateria e o baixista para os teclados…” ou “ele criava inúmeras limitações para que pudéssemos chegar a resultados diferentes e surpreendentes”.

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As Estratégias Oblíquas são bastante simples. Diante de um problema enfrentado, ao sacar uma “carta” aleatório do baralho, irá ler algo como:

• Adota uma atitude diferente.
• Que partes podem ser agrupadas?
• Muda os papeis.
• Elimina um elemento da equação.
• Faz o contrário.
• Enfatiza as diferenças.
• O que é que não farias?
• Faz mais humano o que é perfeito.
• Olha cuidadosamente os erros mais vergonhosos e amplifica-os.
• Trabalha a uma velocidade diferente

“Elas podem ser usadas como um pacote, ou retirando uma única carta do monte quando um dilema ocorre em uma situação de trabalho. Neste caso se confia na carta mesmo que não fique claro se ela é apropriada…” (trecho retirado da edição de 2001)

Como usar as estratégias?

Costumo usar as estratégias de forma não regular e inconstante. Geralmente, lanço mão em épocas em que me sinto acomodado e incomodado (por mais paradoxal que possa parecer é possível experimentar as duas sensações concomitantemente).

Nunca se ouviu tanta música e no entanto nunca se ouviu tão pouco música. A música nos rodeia, faz a trilha sonora dos nossos dias, do nosso lazer, amores, trabalho e também da nossa fé. No entanto, a experiência parece mais um ruído que algo significativo. Quanto mais acostumados com algo menos percebemos-lhe as identidades.

Compor, tocar, arranjar e tantos outros verbos ligados à produção musical podem guardar certa rotina que nos deixa preguiçosos e previsíveis. A arte, como a vida, precisa de certa imprevisibilidade. Não para que seja considerada boa, ou duradoura, mas para que cumpra sua função transformadora dos tempos. A música é a arte do tempo.

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Para ler algumas dessas cartas acesse:

httpps://joeribollaerts.files.wordpress.com/2010/04/brianeno_obliquestrategies1.pdf

Augusto Cezar Cornelius

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