Gênio, genial e genioso

Gênio, genial e genioso

Todo gênio é genioso? Alguns são muito mais geniosos que geniais?

A expressão, quase em forma de equação, me chegou através de uma mensagem do padre Joãozinho, scj. Dessas mensagens que fazem a gente acreditar que o espaço virtual ainda nos leva a pensar mais do que a reproduzir. Todo gênio é genioso? Alguns são muito mais geniosos que geniais? E por aí segue o jogo de combinações.

Tanto a mitologia grega quanto a árabe possuem as raízes para o termo gênio. Diz a Wikipedia:

“(…) na religião pré-islâmica e muçulmana, uma entidade sobrenatural do mundo intermediário entre o angélico e o humano,associada ao bem ou ao mal, que rege o destino de alguém ou de um lugar; embora sejam também descritos de um modo inteiramente virtuoso e protetor.”

Conceitos:

Um conceito muito próximo do daimon grego. Embora também na mitologia romana encontramos origens para gênio:

“(…)do Latim genius, que significa uma espécie de espírito guardião ou tutelar do qual se pensava serem designados para cada pessoa quando do seu nascimento. Portanto, o gênio é concebido como um ente espiritual ou imaterial. Muito próximo do ser humano, e que sobre ele exerce uma forte, cotidiana e decisiva influência.”

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Talvez um pouco distante do sentido que comumente usamos. Gênio para nós é alguém com grande capacidade intelectual, criativa ou com habilidades específicas muito acima da média. Termo que se cristalizou no período romântico (séc XIX), especialmente em artistas, elevando pessoas comuns à aura de mítica dos feitos prodigiosos.

Mas e quando o gênio se torna genioso? Quando ele se torna incômodo ou inadequado, para muito além das suas habilidades?

Provavelmente, quando cede a intolerância com seu próximo. Quando cruza a linha do jeito de ser, ou através dos comentários, excêntrico e pitoresco para se destacar além dos seus dons. Como se ele se confundisse com suas habilidades e isto lhe desse motivos e liberdade para se elevar acima dos outros.

O gênio e o genioso

 

O gênio cria. O genioso é cheio malcriadices. O gênio examina enquanto o genioso é um absolutista em suas opiniões.

O gênio está aberto ao novo. O genioso insiste num repertório viciado de si mesmo. O gênio vive de inspiração e transpiração. O genioso alimenta seus dias de irritação e contrariedade.

Genioso é aquele que muda de humor inesperadamente, cedendo a alteração sem filtro social.

O gênio parece dotado de algo mais que os outros. O genioso tem certeza de que possui algo que falta ao resto de nós.

Tanto gênios quanto geniosos estão nos extremos. Nem um nem o outro guarda, por definição ontológica, a capacidade da transcendência humana.

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Mas há aqueles que, dotados de algo a mais, jamais deixaram de buscar algo além. Artistas como Van Gogh ou Rembrandt, Villa-Lobos ou Bach, Victor Hugo ou Machado de Assis sempre perceberam nas suas habilidades apenas possibilidades para elevar não a si mesmo mas a toda a humanidade.

Enquanto o genioso quer destaque, alguns gênios querem participar de um todo que sempre será maior que a soma das partes. E assim enquanto o genioso vê o detalhe, o gênio altruísta e amoroso enxerga melhor a totalidade.

– To see a World in a Grain of Sand / And a Heaven in a Wild Flower / Hold Infinity in the palm of your hand / And Eternity in an hour
– William Blake in “Auguries of Innocence” of the: “Songs and Ballads”

(Tradução: “Ver um mundo em um grão de areia/ e um paraíso numa flor selvagem/ Segure o infinito na palma da sua mão/ e a eternidade em uma hora”.)

Autor: Augusto Cezar Cornelius

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