Por que artistas católicos precisam mudar a forma de evangelizar nas redes sociais?

Por que artistas católicos precisam mudar a forma de evangelizar nas redes sociais?

As redes sociais se tornaram vitrines para a música católica. Compartilhamos agendas de shows, lançamentos de música e clipes, tiramos fotos com fãs. Postamos também aqueles breves instantes onde apresentamos nossa rotina diária: a vida bucólica em família, nossos momentos de oração, algumas imagens onde transparecemos ser pessoas comuns fazendo coisas comuns (fora do palco).

Participe do 3º Fórum da Música Católica, onde abordarei de uma forma mais profunda este tema.

Como já foi dito inclusive por pensadores cristãos sobre o assunto (Spadaro): a internet não é uma vitrine. O mundo digital é um mundo real (também). Pessoas se ferem nestes ambientes, grandes esperanças e vitórias são alcançadas, há muita beleza e sofrimento. Toda vitrine é arrumadinha. Mesmo as milimetricamente desarrumadas. Dando a casual impressão de espontaneidade. Mas a internet não é vitrine. É um mundo onde se vive, se ama, se alegra, perde, ganha, comemora, sofre, etc. Onde está o ser humano, fragilizado pelo pecado e necessitado da Graça de Deus.

As métricas das mídias sociais dialogam com as fragilidades deste ciberespaço. Curtidas, seguidores, compartilhamentos e comentários geram gráficos desejados por todo artista independente do momento da sua carreira como músico ou evangelizador.

Movimento gera movimento. Na vitrine virtual miramos o aumento de fãs (seguidores), de sondagens para shows, de maior alcance nos streamings (plataformas digitais).

Todos conhecemos os perigos das redes sociais: nossos impulsos de começar uma briga ou mesmo sermos agressivos ao defender o que acreditamos estão a um clique. Passamos da argumentação a agressão rapidamente.

Há também, como disse Wael Ghonim (que ajudou a desencadear a Primavera Árabe em seu país, o Egito, criando uma simples página no Facebook) o perigo das “câmaras de eco” – nos relacionamos apenas com aqueles que pensam como nós e tem as mesmas opiniões que nós.

Outro risco que observo são as fake news. Ninguém verifica a procedência de boatos. Eles são usados apenas para alarmar ou corroborar uma opinião.

Há outro ponto, algo assustador: poucas pessoas mudam de opinião no mundo digital. Parece que quando escrevemos o que achamos (mensagens em vez de participarmos de discussões) nos comprometemos de tal forma que não nos é mais permitido abandoná-las. (Sugestão: ler o livro “Armas da Persuasão” de Cialdini – especialmente o capítulo sobre comprometimento/coerência).

Artistas católicos comprometidos com métricas de social media podem ficar refém da velocidade das redes sociais, que dão pouco espaço para o aprofundamento dos laços e diálogos desarmados.
Nas redes sociais encaradas como vitrines falamos para o outro e não com o outro.

Para uma nova evangelização através da musica nesses nossos tempos pós-digitais precisamos retomar o interesse no ser humano ( sim! Do outro lado da tela não temos números, gráficos e avatares). Precisamos falar “com” muito mais do que “para”. Precisamos rever as métricas e as metas. Precisamos parar à beira do poço, à margem do caminho e perguntar a quem nos procura (e não à algoritmos): que queres que eu te faça?

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