Santo Agostinho e a Quaresma. Vamos juntos?

Santo Agostinho e a Quaresma. Vamos juntos?

Quaresma é tempo de mudança. Voltar sobre seus próprios passos, restabelecer novas metas e destinos para a sua vida e para sua alma. Retomar a busca da felicidade? Mas onde mora essa tal felicidade? “A busca de Deus é a busca da felicidade. E o encontro com ele é a própria felicidade” – palavras de um homem sábio que mudou de vida muitas vezes. Podemos dizer muitas coisas sobre Agostinho, mas nunca afirmar que era um acomodado ou um covarde.

Agostinho mudou algumas vezes de crenças: neo-platonismo, maniqueísmo, entre outros. Mudou de cidade: Tagaste, Roma, Milão, Hipona. Mudou de profissão: foi professor e orador.

Como cristão mudou a primeira vez (conversão) em Milão, no encontro com Ambrósio, num clímax de um processo que iniciou-se muito antes e foi sustentado pelas lágrimas de sua mãe. Processo impactante de um orador que se calou e pôs-se a ouvir os sermões do bispo Ambrósio. Um Agostinho receoso do passo decisivo de mudança, que chegou a dizer “dá-me a castidade mas ainda não”, e converteu-se de forma decisiva quando abriu as epístolas de Paulo e encontrou palavras que norteariam sua vida. Sua felicidade.

Silêncio, escuta, coragem, leitura da Palavra de Deus, orientação de um diretor espiritual.

A SEGUNDA CONVERSÃO

A segunda conversão de Agostinho foi quando se viu impelido a ser bispo pelo próprio povo de Deus que reconhecia nele a ação do Espírito Santo enchendo-lhe de sabedoria. Foi quando Agostinho abriu mão das aspirações de uma vida recolhida e meditativa para envolver-se en situações que iam além das preocupações com a vida espiritual do povo. É desta conversão a famosa frase “com vocês sou cristão e para vocês sou bispo”! Agostinho mudou pelo outro. Não se coloca acima de ninguém.

Aceitação da vontade de Deus, dedicação, solidariedade, serviço, amor, sobriedade.

A TERCEIRA CONVERSÃO

Chegamos a última conversão.
Já no fim da vida, Agostinho reconhecidamente um homem sábio, conhecedor de muitas coisas, volta sobre os passos que deu. Escreve um livro chamado Retratações e explica e detalha melhor o que foi dito antes. Revê opinões que já não sustenta. Reconhece-se um apaixonado pelo inesgotável saber. Pela Verdade. Este mesmo homem deixa suas funções, reconhecendo seus limites físicos. Recolhe-se em seu quarto num cotidiano oracional. Pede que sejam afixados os salmos penitenciais nas paredes e teto para que, onde seus olhos repousem, esteja sempre voltado para Deus.

Humildade, piedade, temor de Deus.

Três conversões, três quaresmas. Tempos onde a ação do Espírito Santo nos leva onde não ousamos ir. Onde desenterramos talentos, renovamos esperanças, reascendemos o fogo da generosidade e solidariedade. Voltamos nosso corpo e espirito para Deus.
O mestre popular se enganou, apesar dos belos versos: a Bahia já me deu régua e compasso, quem sabe de mim sou eu. Não, a Quaresma reafirma que Cristo nos deu régua, compasso e esquadro e é Ele quem sabe de nós, nos sustenta durante todo o caminho. Especialmente no caminho desta Quaresma. Devemos nos colocar a caminho. Dedicarmos nosso tempo. Nosso esforço. “Aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti”!

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